O Homem da Caixinha
10 de fevereiro de 2011
De todos os sócios que passaram pela diretoria da caixinha da Coopadubo, difícil encontrar um que conheça mais o assunto do que Vilarino de Felix, 73 anos, pioneiro da cooperativa. A história toda começou antes mesmo que a Coopadubo existisse, época de serviço fraco e trabalho duro no sindicato que resiste ao tempo na memória da velha guarda. O ano era 1984 ou, como Vilarino prefere falar “exatamente 1º de fevereiro de 1984”.
A proposta de reter parte do rateio para um “13º compulsório” não resistiu à desconfiança dos primeiros sócios: somente depois de três “assembleias daquelas” a ideia foi votada e aprovada, ainda assim sem o aval de 1/3 dos cooperados. “Se não tivéssemos um presidente muito comprometido com a causa, talvez não tivéssemos conseguido aprovar”, lembra Vilarino. Batido o martelo, nasceu a “Caixa Assistencial, Social e Financeira”, inaugurando assim a tradição parnanguara de dar nomes longos às coisas, a exemplo do que viria a ser chamada Coopadubo anos mais tarde.
Como primeiro secretário da caixinha – o nome mais conhecido é por outro costume famoso de Paranaguá: dar apelidos para tudo e todos – Vilarino acompanhou desde o início a evolução da ideia que ele define hoje como “o difícil que deu certo”. A informatização da caixinha, nos idos de 2000, foi um dos momentos mais importantes para garantir a agilidade e a segurança da iniciativa. “Cansei de ficar depois do expediente, passar a noite conferindo sócio por sócio e cumprir os prazos pra entregar no tempo certo”, lembra. A criação da marca – obra assinada pelo próprio Vilarino – surgiu inspirada pelo símbolo da TV Bandeirantes, num processo criativo de dar inveja a muito publicitário por aí: “Tudo tem uma cara, a gente precisava dar uma para a caixinha também”.
Foi assim também, depois de ganhar uma caneca do Flamengo – time do coração – que Vilarino teve a ideia de presentear sócios e aqueles que já não o são, mas que foram importantes ao longo desta história, com um mimo personalizado com o símbolo da caixinha e o número do ponto. Em fevereiro de 2011, quando a Caixa Assistencial, Social e Financeira completa 27 anos, uma curiosidade marca a ligação de Vilarino com o projeto: o filho dele, Walace Henrique de Felix, também sócio da Coopadubo, completa 2 anos à frente da presidência da caixinha. Sorte deste último: traz do berço a dedicação daquele que bem pode ser chamado o Homem da Caixinha.
